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Use este identificador para citar ou linkar para este item: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/66704

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Título: Atenção executiva e declínio cognitivo leve na Doença de Parkinson
Autor(es): ANDRADE, Felipe César Gomes de
Palavras-chave: Doença de Parkinson; Disfunção cognitiva; Testes neuropsicológicos
Data do documento: 6-Jun-2025
Editor: Universidade Federal de Pernambuco
Citação: ANDRADE, Felipe César Gomes de. Atenção executiva e declínio cognitivo leve na Doença de Parkinson. 2025. Tese (Mestrado em Psicologia Cognitiva, Recife, 2025.
Abstract: Entre os domínios que mais revelam declínio na cognição de pessoas com Doença de Parkinson, mesmo sem demência, estão as Funções Executivas. Elas representam um conjunto de processos cerebrais que regulam outras funções na cognição humana, seja no cumprimento de tarefas ou metas, seja na regulação de comportamentos. Ao lado de componentes como flexibilidade cognitiva, controle inibitório e memória operacional, as Funções Executivas são influenciadas por redes atencionais, bem definidas do ponto de vista neuroanatômico e funcional. Essas redes estão relacionadas à orientação visual direcionada a estímulos, ao estado de alerta e à atenção executiva. A atenção executiva se manifesta pelo reconhecimento de modalidades específicas de estímulos ou pela resolução de conflitos cognitivos durante a execução de tarefas. Nesse sentido, considera se que ela viabilize a flexibilidade cognitiva a partir do controle inibitório, e contribua para o cumprimento de metas e desenvolvimento das Funções Executivas. Com base nesse entendimento, foi avaliada a eficácia da atenção executiva como uma preditora do declínio das Funções Executivas em pessoas com Parkinson, em virtude de estruturas envolvidas nessa rede atencional também serem afetadas nas pessoas com esse diagnóstico. Foram comparados entre si pessoas com Doença de Parkinson e pessoas sem Parkinson, com 50 a 80 anos de idade. Foram obtidos dados quanto a flexibilidade cognitiva, o controle inibitório, a funcionalidade executiva no cotidiano e as redes atencionais. Todos os participantes foram avaliados quanto a sua flexibilidade cognitiva e controle inibitório através do Five Digit Test e quanto a sua atenção executiva através do Attention Test with Interaction and Vigilance. Esses testes foram repetidos ao longo de 01 ano em pelo menos três momentos diferentes. Além disso, foram avaliados o estágio funcional das pessoas com Parkinson pela Unified Parkinson Disease Scale e sua funcionalidade executiva pela Barkeley Dysexecutive Functional Scale. O estudo contou inicialmente com 99 participantes, sendo 50 com Parkinson e 49 sem Parkinson. Ao final de 15 meses de acompanhamento, foram avaliados 57 participantes em geral. Desses, 25 participantes com Parkinson e 16 sem Parkinson apresentaram algum sinal de declínio de Funções Executivas em pelo menos dois de três momentos dos testes. Com base nas médias, medianas e percentis aos testes dos participantes com declínio de Funções Executivas, obtiveram-se correlações através do teste t, teste F de medidas repetidas e teste de análise de variância, bem como estimou-se a influência da atenção executiva sobre os resultados do Five Digit Test através de cálculo de regressão multinominal. A atenção executiva foi analisada com base em medianas de tempos de reação e médias de acurácia. Revelaram-se diferenças significativas das médias de acurácia nas pessoas com Parkinson, comparando declinantes e não declinantes (0,049 versus 0,099 com p 0,033, na diferença de percentuais de erro para congruência, e 0,69 versus 0,48 com p 0,015, na média de erros para vigilância, intervalo de confiança 95%). Os resultados das médias de acurácia nos testes dos declinantes em Funções Executivas se mantiveram estáveis ao longo do acompanhamento de 01 ano. A análise da vigilância por tempo de reação em milissegundos também se mostrou útil para acompanhamento do declínio ao longo do tempo (no Parkinson 963,6 versus 1017,4 e no sem Parkinson 1067,8 versus 1030,6 com p 0,01, intervalo de confiança 95%). A diferença entre as médias da acurácia para estímulos incongruentes e congruentes, assim como as médias da acurácia em teste de vigilância apresentaram significativa correlação e papel preditivo quanto à estimativa de declínio provável, em relação a declínio possível ou sem declínio nas Funções Executivas. O aumento na média de erros sob vigilância aumentou a chance de declínio provável no controle inibitório 18,5 vezes ao final do acompanhamento com p<0,001, intervalo de confiança 95%, ao passo que o controle executivo diminuiu a chance de déficit possível em relação a provável no controle inibitório em 3 vezes com p<0,001, intervalo de confiança 95%. A atenção executiva serviu como um preditivo para o declínio de controle inibitório e flexibilidade cognitiva. Os grupos com Parkinson e sem Parkinson que apresentaram declínio não revelaram diferenças significativas entre si no teste neuropsicológico, assim como no teste de atenção. De todo modo, os participantes mantiveram ao final do estudo bom desempenho cognitivo em geral. Há necessidade de maior tempo de acompanhamento desses participantes quanto a sua funcionalidade. Espera-se, por fim, contribuir com mudanças na forma como se compreende e diagnostica o declínio cognitivo leve de pessoas com Parkinson em serviços ambulatoriais.
URI: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/66704
Aparece nas coleções:Teses de Doutorado - Psicologia Cognitiva

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